quinta-feira, 26 de junho de 2008

Filosofia: do mito a razão

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

Disciplina de Filosofia

Curso de Administração. Turma 32, 2004.

Aluna: Cibele dos Santos de Oliveira. R.A: 35116



Resumo: ARANHA, M.L.A; MARTINS, M.H.P. Filosofando, introdução à Filosofia. 3 ed. São Paulo, Moderna, 2003. “Do mito à razão: o nascimento da filosofia” (p. 79 a 84).


Os primeiros sábios considerados filósofos eram gregos. Embora tenham existido sábios por volta do séc. VI a.C. como Confúsio, Buda e Zaractus, suas sabedorias eram muito vinculadas na religião, por isso não dá para falar em reflexão filosófica. As autoras iniciam o capítulo 7, descrevendo o surgimento da filosofia, pela qual se separa da consciência mítica e torna-se consciência filosófica na civilização grega.

O surgimento do mito foi antes do aparecimento da escrita (período Homero e Hesíodo – séc. XII a VI a.C.). O mito era preservado pela tradição e transmitido oralmente “pelos cantores ambulantes que davam forma poética aos relatos populares”. Essa função épica foi importante na vida dos gregos por descreverem o período da civilização micênica e transmitirem os valores da cultura por meio das historias dos antepassados.

Os primeiros filósofos gregos surgem na era arcaica (Séc. VII e VI a.C.), época marcada pela passagem da mentalidade mítica para o pensamento critico racional e filosófico. A racionalidade crítica resultou de um processo muito lento enraizado ao passado mítico em que as características não desapareceram sendo, portanto, uma culminação do processo gestado através dos tempos e que tem sua dívida com o passado mítico. O surgimento da escrita, da moeda, da lei escrita e da pólis que consistiam em cidade-estado, contribuiu para transformar a visão que o mito oferecia sobre o mundo e a existência humana, sendo condição para o surgimento filosófico.

No inicio a escrita era restrita a religião e às administrações palacianas. Com a violenta invasão dórica no séc.XII a.C., a escrita desaparece junto com sua civilização micênica e só foi ressurgir por volta dos séc. IX ou VIII a.C., por influência dos fenícios. Assim, a escrita assume um papel diferente, encontrando-se desligada a preocupações religiosas, do sagrado e não mais com atributo aos escribas atrelados ao poder. A escrita passa a ser divulgada em praças públicas, sujeitos as discussões e às críticas, estimulando o espírito crítico surgindo como uma reflexão a palavra modificando a estrutura do pensamento.

A moeda foi inventada na Lídia e aparece na Grécia por volta do séc. VII a.C., facilitando os negócios e impulsionando o comércio. Os produtos passaram a ter valor de troca, transformando-se em mercadorias. A moeda era emitida e garantida pela pólis, revertendo seus benefícios à própria comunidade, sobrepondo os símbolos sagrados.

A transformação da pólis se deve aos legisladores Drácon (Séc.VII a.C), Sólon e Clístenes (séc.VI a.C.) em que a justiça é codificada numa legislação escrita e não mais dependente da interpretação da vontade divina. A lei escrita passa a ter uma dimensão humana. Essas reformas na legislação fundam as pólis sobre nova base, determinando uma organização administrativa, expressando um ideal igualitário. A originalidade da cidade grega é que ela está centrada na ágora (praça pública), onde eram debatidos os problemas de interesses comuns. Separam-se na pólis o domínio público do privado, tendo um novo ideal de justiça pelo qual todo cidadão tem direito ao poder. A justiça assume caráter político e não apenas moral, voltada aos interesses da comunidade. A pólis se faz pela autonomia da palavra comum a todos. O saber deixa de ser sagrado e passa a ser objeto de discussão, fazendo nascer a política e a democracia.

Embora existam aspectos de continuidade entre mito e razão, o pensamento filosófico resulta uma ruptura quanto a atitude diante do saber recebido. Enquanto o mito é uma narrativa inquestionável, a filosofia convida a discussão, rejeitando o sobrenatural, a interferência dos agentes divinos na explicação dos fenômenos, buscando a coerência interna e o pensamento abstrato.


Um comentário:

Nilton Oliver disse...

Brilhante texto, de uma forma suscinta, abrange todo conteúdo de filosofia por Sócrates. Parabéns.