quinta-feira, 26 de junho de 2008

o Senso Comum com o emprego da Tecnologia da Informação nas empresas


Paulo Edson Barroso (G-UEM)

Felipe Gabriel Bond (G-UEM)

Diogo C K Futata (G-UEM)

Rafael LemesGalli (G-UEM)

Cibele Santos Oliveira (G-UEM)

e-mail: cibelenet@msn.com



Resumo

Entre tantas, duas idéias constituídas pelo senso comum predominam em relação a Tecnologia da Informação (TI). A primeira, conhecida como o paradoxo da produtividade, se espera que quanto maior o investimento com TI, maior será a produtividade. A segunda trata do eterno antagonismo tecnologia versus desemprego, pois acredita-se que quanto maiores são os avanços da tecnologia, mais postos de trabalho são extintos. Pelo que se pode notar é que estas idéias estão presentes, inclusive na mente de tomadores de decisão e podem levá-los a erros gravíssimos. Parte dos equívocos do senso comum se deve a episódios marcantes de desconsideração ou inexistência de um planejamento da TI, fator relevante para o sucesso de uma organização. O objetivo deste trabalho é discutir tais mitos através de pesquisa bibliográfica que considere a realidade atual da TI e seu alinhamento com a Administração.


Palavras-chave: Tecnologia da Informação. Desemprego. Produtividade. Investimento.



  1. Introdução



A ferramenta que vem se tornando recurso indispensável para a sobrevivência de uma organização é chamada Tecnologia da Informação (TI), que imprime maior velocidade aos processos internos, permitindo aos gestores um conhecimento e um relacionamento amplo com seu ambiente de influência. TI serve para designar o conjunto de recursos tecnológicos e computacionais para a geração e uso da informação. Ela está fundamentada nos seguintes componentes: hardware, software, sistemas de telecomunicações e gestão de dados e informações.


As empresas têm passado por mudanças sendo diretamente relacionadas com a tecnologia da informação. As novas tecnologias estão provocando alterações não só no meio organizacional, mas na natureza do trabalho do homem, na maneira como os negócios estão sendo conduzidos, na criação da riqueza e do comércio. Essa evolução da TI continua em velocidade crescente, disponibilizando uma maior diversidade de tecnologias, gerando mais alternativas, possibilitando decisões mais ricas e mais complexas aos administradores de empresas.


A TI tornou-se uma ferramenta indispensável para a organização, e deve-se estar alinhada com o planejamento da mesma. Porém, o avanço tecnológico de forma intensificada faz com que todos se sintam defasados levando muitos administradores a tomarem decisões ousadas, pouco planejadas ao adquirir tecnologia.


A participação da TI levou também a criação de uma série de mitos ao senso comum como o paradoxo da produtividade e o antagonismo da tecnologia e do desemprego. Espera-se que quanto maior o investimento em TI, maior será a produtividade da empresa e que quanto maiores são os avanços da tecnologia, mais postos de trabalho são extintos. Estes pensamentos equivocados estão presentes inclusive com os tomadores de decisão, podendo levar a erros gravíssimos a frente de uma organização. Entende-se que parte dos equívocos do senso comum se deve a episódios marcantes ao desconsiderar a TI ou até mesmo da inexistência desta.


Este artigo pretende discutir a relação da Tecnologia da Informação com produtividade, investimento e desemprego, de uma forma a posicionar material teórico levantado em pesquisa bibliográfica frente a mitos que o senso comum cria a respeito. Para tanto, o artigo está divido em duas partes além desta. A primeira trata-se do paradoxo da produtividade relacionado com o investimento. Já na segunda parte, é discutida a relação da tecnologia com o desemprego. E finalmente, na conclusão é defendida a idéia que a competência gerencial continua a ser a chave para os investimentos em tecnologia da informação e também é apresentada uma solução para a questão do desemprego baseada na educação e qualificação profissional e tecnológica.



  1. Referencial Teórico



2.1 Tecnologia versus produtividade


De acordo com GRAEML (1998), existe um fator relacionado à forma como os gestores percebem a tecnologia como relevante para o sucesso dos investimentos em tecnologia da informação. E a idéia, relativamente comum de que o desempenho econômico da empresa possa estar diretamente associado ao seu nível de gastos com tecnologia da informação.


Muitas pesquisas que buscam analisar os impactos da TI sobre as organizações são capazes de medir desempenho apenas a curto prazo. No entanto, os investimentos em tecnologia podem levar anos para adicionar valor a uma empresa. Como os indicadores financeiros tradicionais, utilizados na avaliação de investimentos, têm dificuldades de capturar os benefícios de longo prazo, muitos investimentos em tecnologia acabam mal avaliados por não conseguirem fornecer retornos de mensuração fácil e imediata. Por isso existe a dificuldade em se perceber os benefícios do investimento em tecnologia da informação.


A tecnologia é considerada muitas vezes, como remédio eficaz para todos os males em uma organização. O senso comum afirma que quanto mais se investe em tecnologia, melhor o desempenho da empresa. Assim, os investimentos continuam sendo cada vez mais intensos nas organizações por acreditarem neste paradigma como se fosse um princípio metafísico, afirma GRAEML (1998). Este mesmo autor também aborda a idéia de uma certa submissão à necessidade de se gastar com tecnologia permanentemente para conseguir manter a competitividade frente à concorrência. O avanço tecnológico de forma intensificada faz com que todos se sintam defasados levando muitos administradores a tomarem decisões ousadas, pouco planejadas ao adquirir tecnologia.


Graeml em seu artigo cita Strassmann (1997) que montou um gráfico de dispersão com o lucro líquido em função dos gastos em tecnologia da informação por empregado, realizados por 539 empresas dos Estados Unidos, Canadá e Europa em 1994, derrubando o mito de que quem investe mais em tecnologia da informação obtém necessariamente melhor desempenho, concluindo que a competência gerencial continua a ser a chave para os investimentos em tecnologia da informação e que a tecnologia pode atuar apenas como catalisadora dos bons ou maus esforços de gestão. No gráfico, as empresas que mais investem em tecnologia da informação podem aparecer em qualquer dos extremos do que representa o retorno dos investimentos. Aquelas que conseguem transformar a tecnologia em diferencial competitivo sustentável, seguramente freqüentarão o lado das mais bem sucedidas, enquanto as que não tiverem o mesmo zelo na escolha dos investimentos mais adequados, alinhando-os às estratégias e compatibilizando-os com a cultura da empresa, continuarão no lado das fracassadas.



O segundo fator de GRAEML (1998), relacionado como os gestores percebem a tecnologia como relevante é encará-la como investimento ou despesa. Assim, o autor diferencia o perfil das empresas de acordo como abordam esse fator. Para ele, empresas que tomam decisões envolvendo tecnologia da informação como se fossem despesas, tendem a se concentrar no custo e não nas necessidades e benefícios pretendidos, priorizando o curto prazo, desprezando projetos que não apresentem resultados mensuráveis e imediatos. Essas empresas não conseguem enxergar o potencial estratégico da utilização da tecnologia da informação e avaliam apenas os ganhos operacionais que a tecnologia é capaz de oferecer. Empresas que tratam como investimento, procuram utilizar a tecnologia para implementar processos que vinculem as atividades de tecnologia da informação aos objetivos do negócio e às metas estratégicas da empresa. A alta administração consegue comunicar a missão e a visão estratégica à empresa e, principalmente, à área de tecnologia da informação.



2.2 Tecnologia versus desemprego


O debate entre inovação tecnológica e desemprego iniciou-se no período da revolução industrial ocasionando no aparecimento da indústria e na expansão da economia capitalista, mostrando que esta relação sempre foi conflituosa. Pelo simples pronunciar na palavra tecnologia em alguns setores principalmente operacionais, faz com que muitos operários sintam-se inseguros com o medo de perder seus postos de trabalho, a frente de alguma tendência de inovação em seu setor específico.


Ao longo da história nota-se que o impacto das mudanças tecnológicas afetou a natureza do trabalho em vários setores, tornando-se obsoletas algumas ocupações, criando-se novas, exigindo outro tipo de formação e qualificação para o trabalhador. Isso fez também com que se reduzisse um grande número de postos de trabalho em diversos setores como as máquinas a vapor substituíram o trabalho braçal nas indústrias, os tratores e colheitadeiras substituíram os indivíduos no campo, as máquinas de escrever, as máquinas de calcular, desenhistas substituídas por programas de computadores, dentre outros. No entanto essas mudanças, não se devem apenas às inovações tecnológicas. Fica evidente que em períodos de crise e de introdução mais intensa de novas máquinas, equipamentos e formas de produção, proliferaram as análises que vêem o progresso tecnológico como o grande e único responsável pela redução de empregos.


Mattoso diz que:

“Não é de hoje que a introdução da inovação tecnológica no processo produtivo é resultado da concorrência entre os capitais. Seu objetivo maior é elevar a produtividade e reduzir o trabalho vivo diretamente envolvido nesse processo. (...) O desemprego é, contraditoriamente, conseqüência do desenvolvimento do progresso técnico, nas condições próprias ao funcionamento sem controle do modo de produção capitalista. Em outras palavras, embora o móvel da inovação tecnológica seja a dinâmica da acumulação na busca incessante da maior valorização possível do capital, ela move-se contra os trabalhadores e a sociedade como resultado da sua apropriação privada, de sua utilização unilateral e sem regulação social”. (MATTOSO, 2000 p.5)


Muitos estudiosos dividem-se em duas linhas de pensamento. Alguns vêem a inovação tecnológica como fonte de desemprego, enquanto outros enfatizam os efeitos benéficos de criar novas ocupações. Já alguns conciliam as duas tendências e afirmam que a mudança tecnológica tanto destrói, como constrói novos postos de trabalho. É fato que a inovação tecnológica substitui inúmeros postos de trabalho, tanto na agricultura, quanto na indústria, comércio, instituições financeiras, dentre outros. É só refletir sobre uma década anterior que nota-se como é assustador o avanço nestes setores. No entanto, há uma década atrás não havia também muitas profissões que foram surgindo ao longo desses anos, exigindo cada vez mais capacitação dos trabalhadores para se adequar às novas tendências.


Uma tendência que a tecnologia vem arrastando ao longo da história tem sido a substituição da força física do homem pela força intelectual definida por Stewart (1998) em sua teoria do Capital Intelectual. O avanço tecnológico relegaria a mão-de-obra operária e a substituiria por inteligência corporativa. Nessa tendência, o que interessa não é mais o homem que aperta parafusos, mas o valor econômico gerado pela sua inovação e criatividade. Um mundo em que o homem é valorizado pela sua capacidade de saber usar o conhecimento e a informação.


Ao considerar a criatividade e o conhecimento como fator relevante para postos de trabalho no mundo moderno, estaria criando uma nova forma de exclusão social: a exclusão tecnológica, que trata-se das pessoas em que não teriam acesso ao conhecimento e a tecnologia. De acordo com Jeremy Rifkin (1994) os empregos “conceituais” na sua definição, vão ser poucos e exigirão altíssima qualificação, dirigidos a uma pequena elite profissional. Robert Reich (1994) também segue a mesma linha de pensamento e acrescenta que a conseqüência deste processo seria o aumento da desigualdade e exclusão social.


Para PERIOTO ET AL (2004, p. 13), a saída para este problema seria:


A socialização das tecnologias. Computadores, Internet, telefone e outras tecnologias devem ser disponibilizados para todos, seja em escolas, fábricas, repartições e locais públicos. Não haverá melhorias enquanto um pequeno grupo tem acesso a todos os meios possíveis de tecnologias, e outros não terem acesso nem a educação básica, transporte, moradia e condições dignas de vida e de cidadania”.


Além do Estado, as ONG’s (Organizações Não Governamentais) devem ter um papel fundamental para buscar soluções para esta exclusão tecnológica, seguindo a linha de pensamento de Perioto et al (2004). Uma vez que o governo sozinho já não consegue solucionar os problemas sociais inclusive o desemprego. A ação seria pela educação com atuação do Estado, ONGs e o setor privado, tendo como consciência que a responsabilidade é de todos.



  1. Considerações Finais


Em se tratando do mito do paradoxo da produtividade, a Tecnologia da Informação deve ser adquirida de acordo com a estratégia da organização, levando os objetivos bastante definidos e planejados, buscando identificar como a informação gerada pela TI proporciona melhor atendimento às necessidades dos clientes. O sucesso do investimento em tecnologia da informação é fazer bom uso da tecnologia, porque ela por si só de nada vale para os negócios. Apenas comprá-la e não dispor de estruturas sem introduzi-la na cultura organizacional é investimento de recursos financeiros de forma errada e desnecessária.


A introdução da inovação tecnológica no processo produtivo continua sendo o de reduzir o trabalho vivo diretamente envolvido na produção, favorecendo a empresa inovadora com maiores ganhos de produtividade e maior competitividade. Nesse sentido, quando se observa uma empresa ou setor, é considerável o papel da inovação tecnológica nas alterações qualitativas e quantitativas do emprego. A competência gerencial continua a ser a chave para os investimentos em tecnologia da informação e que a tecnologia pode atuar apenas como catalisadora dos bons ou maus esforços de gestão.


Em relação ao antagonismo tecnologia versus desemprego, a TI não é a única responsável. Ao mesmo tempo em que extingue diversos postos de trabalho, também cria novas funções para os trabalhadores, novos serviços, novos produtos, de forma a determinar a capacitação e a adequação destes para manterem-se empregados.


De acordo com a tendência que a tecnologia vem trazendo no meio organizacional, os empregos vão ser poucos e exigirão altíssima qualificação, e a conseqüência deste processo seria o aumento da desigualdade e exclusão social. A saída está na socialização da tecnologia de forma que todos tenham acesso e não apenas uma elite profissional. Essa responsabilidade é de participação fundamental não só do Estado, mas também de ONGs e setor privado.


Por fim, conclui-se que o objetivo desse trabalho foi alcançado ao apresentar e discutir os mitos propondo soluções a partir dos autores que nos mostraram a realidade da TI e seu alinhamento com a administração.



  1. Referências


BETIOL, M. I. S. et al. A trama e o drama numa intervenção: análise sob a ótica da Psicodinâmica do Trabalho. In: ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 25, 2001, Campinas. Anais. Campinas: ANPAD, 2001.


GRAEML, Alexandre R. “As idéias com as quais se pensa na avaliação de projetos de tecnologia da informação” - Anais do XVIII ENEGEP (Encontro Nacional de Engenharia de Produção) – Niterói, setembro de 1998.


MATTOSO, Jorge. “Tecnologia e emprego, uma relação conflituosa”. São Paulo em perspectiva, 14(3) 2000.


PERIOTTO, Alvaro Jose; DUARTE, Francisco Ricardo; ALIGLERI, Lilian Mara;
SANTOS, Luís Miguel Luzio dos. Tecnologia e emprego: efeitos da Nova Economia. Colloquium Humanarum, Pres. Prudente, v.1, n. 2, p. 39-52, 2004.


PERIOTTO, Alvaro Jose; ARAÚJO, Romilda Ramos de. Trabalho, inovações
tecnológicas e subjetividade: novas perspectivas para gestores e trabalhadores
nas organizações contemporâneas. Identidade Científica, Pres. Prudente, v. 1,
n. 2, p. 78-88, 2003.


RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos. São Paulo: Makron Books, 1995.


REICH, R. (1992) O trabalho das nações. São Paulo: Educator, 1994.


STEWART, Thomas A. Capital Intelectual – A nova vantagem competitiva das empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1998.


Junior, S. S.; Freitas, H.; Luciano, E. M. Dificuldades para o uso da Tecnologia da Informação. RAE-eletrônica, v. 4, n. 2, Art. 20, jul./dez. 2005. Disponível em: . Acesso em: ago. 2006.



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